Habilidades da BNCC: EF06GE03 – Descrever os movimentos do planeta e sua relação com a circulação geral da atmosfera, o tempo atmosférico e os padrões climáticos. EF09GE01 – Analisar criticamente de que forma a hegemonia europeia foi exercida em várias regiões do planeta, notadamente em situações de conflito, intervenções militares e/ou influência cultural em diferentes tempos e lugares.
Vamos juntos nessa Jornada!
Esta atividade articula temas de Geografia e Língua Portuguesa, integrando habilidades do 6º e 9º ano. A partir do texto “Como a Rússia lançou espelho gigante no espaço para ‘iluminar a Sibéria durante os meses escuros de inverno’”, os estudantes revisam conteúdos sobre os movimentos da Terra, o clima e o Sistema Solar, além de refletirem sobre as mudanças na ordem mundial e o avanço tecnológico.
As questões contemplam descritores de Língua Portuguesa e eixos das Ciências Humanas, podendo ser utilizada tanto para revisão quanto para aprofundamento dos conteúdos.
Texto I
Como a Rússia lançou espelho gigante no espaço para ‘iluminar a Sibéria durante os meses escuros de inverno’
Parece um plano inventado por um vilão de James Bond: enviar um espelho gigante à órbita terrestre para capturar os raios do Sol e redirecioná-los para um alvo na Terra.
O objetivo era [..] utópico: iluminar cidades árticas na Sibéria durante os meses escuros de inverno.
Basicamente, o espelho tentava fazer o Sol brilhar novamente nas regiões polares da Rússia depois que a noite caísse.
O cientista Hermann Oberth, considerado um dos fundadores da astronáutica moderna, argumentou que essa iluminação poderia ajudar a prevenir catástrofes, como o naufrágio do Titanic em 1912, ou resgatar sobreviventes.

Ele também especulou que espelhos espaciais poderiam ser usados para limpar rotas de navegação derretendo icebergs ou até mesmo para manipular os padrões climáticos da Terra.
Em 1945, a revista Time relatou que cientistas capturados do Terceiro Reich disseram a interrogadores do Exército dos EUA que a Sonnengewehr tinha a intenção de agir como um raio da morte, redirecionando a luz do sol para incendiar cidades ou ferver a água de lagos. Na década de 1970, outro engenheiro de foguetes nascido na Alemanha, Krafft Ehricke, retomou o conceito.
Em 1978, ele escreveu um artigo detalhando como espelhos orbitais gigantes poderiam iluminar o céu noturno.
Eles permitiriam que agricultores plantassem ou colhessem 24 horas por dia, ou poderiam desviar a luz para painéis solares na Terra para convertê-la em eletricidade sob demanda.
Na época, o cientista russo Vladimir Syromiatnikov, um pioneiro da engenharia espacial, estava investigando se grandes velas solares refletivas poderiam ser acopladas a uma nave espacial.

Se as velas refletivas pudessem ser orientadas corretamente, os fótons, partículas de energia do Sol, poderiam ricochetear nas superfícies da nave e impulsioná-la suavemente para frente pelo espaço sem queimar combustível.
Ele pensou que os propulsores dos navios poderiam inclinar as velas refletivas e mantê-las sincronizadas com a posição do Sol.
O espelho poderia ser usado para iluminar as regiões polares da Rússia, onde os dias são extremamente curtos no inverno, iluminando áreas envoltas em escuridão.
A luz solar adicional prolongaria a jornada de trabalho e aumentaria a produtividade das terras agrícolas.
Ele também imaginou que a luz solar adicional poderia reduzir o custo de iluminação elétrica e aquecimento na área e aumentar o bem-estar das pessoas da região. “O truque é que, nessa altura, o refletor de 20 metros de largura será capaz de capturar os raios do Sol que normalmente não atingem a Terra e refleti-los de volta para o lado escuro do nosso planeta”, disse Kate Bellingham no Tomorrow’s World, da BBC.
A ambição final era ter uma rede de até 36 desses espelhos gigantes no espaço com a capacidade de girar, permitindo que eles mantivessem a luz refletida focada no mesmo ponto.
Estimou-se que a rede combinada de espelhos espaciais poderia refletir luz 50 vezes mais brilhante que a da Lua e iluminar uma área de até 90 quilômetros de largura.

Em 4 de fevereiro de 1993, a Progress se desacoplou, se afastou cerca de 150 metros da Mir e começou a girar, desdobrando o espelho como um ventilador gigante que capturava os raios do Sol e os enviava de volta à Terra.
Viajando a uma velocidade de 8 quilômetros por segundo, o ponto de luz se estendeu do sul da França, passando pela Suíça, Alemanha e Polônia, até o oeste da Rússia
A luz refletida revelou-se muito mais fraca do que o esperado e muito difusa para fornecer iluminação prática para uma grande área na Terra.
Desta vez, seria enviado um espelho de 25 metros, que refletiria uma luminosidade entre cinco e dez Luas cheias e emitiria um ponto de luz que cobriria uma área de 8 quilômetros de largura. Duas cidades norte-americanas foram escolhidas para serem iluminadas pelo feixe do espelho, no queseria um experimento de 24 horas, assim como várias na Europa.
Os astrônomos estavam preocupados que o espelho poluísse o céu noturno com luz, ofuscando seus telescópios e obscurecendo sua visão das estrelas.
Ambientalistas também expressaram preocupação de que a luz artificial poderia causar confusão aos animais e plantas, interrompendo a vida selvagem e os ciclos naturais.
“Chega de contas de luz, chega de invernos longos e escuros. É um grande passo para a tecnologia.” Disse Syromiatnikov ao The Moscow Times.
Inicialmente, tudo ocorreu conforme o planejado: o espelho espacial dobrado foi acoplado à Progress, que se desacoplou da Mir sem problemas. Ele foi gentilmente movido para a posição de afastamento da estação espacial, os propulsores do Progress receberam ordem de ignição e ele começou a girar para implantar o espelho de alumínio.
Infelizmente, um comando adicional foi enviado por engano à Progress ao mesmo tempo, instruindo-a a posicionar a antena usada para comunicação durante manobras de atracação.
Sem opção, o Controle da Missão se viu obrigado a colocar o Znamya 2.5 em rota de volta à Terra.
Sua queda na Terra destruiu não apenas o Znamya 2.5, como também o futuro do projeto idealista de espelho espacial de Syromiatnikov.
Seu projeto Znamya 3, com uma superfície refletiva de 70 metros e previsto para ser lançado em 2001, não conseguiu financiamento e nunca foi construído.
Syromiatnikov, amplamente considerado um dos maiores engenheiros espaciais de sua geração, morreu em 2006, e seus sonhos de velas solares e espelhos nunca se tornaram realidade.
BURKE, Myles. Como a Rússia lançou espelho gigante no espaço para ‘iluminar a Sibéria durante os meses escuros de inverno [adaptado]. BBC News Brasil,, 17 fev. 25. Disponível em: <https://www.bbc.com/portuguese/articles/cdjdj27e9gno>. Acesso em: 27 set. 25.
Atividade
- Ao buscar compensar a falta de luminosidade natural nas regiões polares da Rússia durante o inverno, o espelho espacial tentava intervir em um fenômeno decorrente de:
a) Translação combinada com a inclinação do eixo, que resulta em longos períodos de escuridão nas altas latitudes.
b) Movimentos das massas de ar, que formam ciclones e anticiclones.
c) Rotação da Terra, que afeta diretamente os padrões de ventos alísios.
d) Diferenças de pressão atmosférica, que determinam a circulação geral da atmosfera.
- No texto, o autor descreve o projeto Znamya como uma tentativa de iluminar a Sibéria durante o inverno, relacionando-o aos movimentos da Terra que causam dias curtos nas regiões polares. Qual das seguintes afirmativas representa um FATO histórico do texto, e não uma opinião?1
a) O espelho era uma ideia utópica, como algo de um vilão de James Bond.
b) O experimento de 1993 iluminou uma área do sul da França até a Rússia.
c) A luz adicional seria o melhor jeito de aumentar a produtividade agrícola.
d) Os ambientalistas estavam exagerando ao se preocupar com a vida selvagem.
- O texto menciona preocupações de astrônomos e ambientalistas sobre o espelho espacial, que poderia alterar padrões climáticos locais. Considerando posições distintas sobre o mesmo tema (impactos ambientais do projeto), qual opção reflete a visão OPOSITORA à de Syromiatnikov, que via o espelho como benéfico para o bem-estar humano?2
a) A luz refletida ajudaria a reduzir custos de aquecimento, melhorando a vida na Sibéria.
b) A rede de 36 espelhos iluminaria áreas de até 90 km, 50 vezes mais que a Lua.
c) O espelho poluía o céu noturno, ofuscando telescópios e perturbando ciclos naturais.
d) Os fótons do Sol impulsionariam a nave sem combustível, economizando recursos.
- Relacionando aos movimentos da Terra e padrões climáticos, o texto discute como o espelho capturaria raios solares para regiões polares escuras. Analisando o fracasso do Znamya 2.5, qual afirmativa é um FATO técnico do texto, distinguindo-se de opiniões sobre seu potencial climático?3
a) O espelho de 25 metros refletiria luz equivalente a 5-10 Luas cheias, ideal para agricultura.
b) O projeto era visionário demais, como as ideias de Oberth sobre derreter icebergs.
c) A luz difusa seria insuficiente, mas ainda assim um avanço para a humanidade.
d) Um comando errado posicionou a antena, forçando a reentrada na atmosfera.
- A menção ao “mundo bipolar” no século XX pode ser relacionada ao contexto espacial da Guerra Fria, no qual a Rússia (URSS) lançou o espelho Znamya. Isso evidencia: 4
a) a influência da corrida espacial no contexto de competição entre EUA e URSS.
b) a ausência de disputas tecnológicas na época.
c) o desinteresse dos EUA por inovações espaciais.
d) a prioridade exclusiva em missões tripuladas.
- O texto apresenta a tentativa russa de iluminar a Terra com o espelho Znamya, mas também traz a opinião de que seria “um grande passo para a tecnologia”. Assim, podemos identificar: 5
a) Fato: lançamento do Znamya; opinião: avaliação positiva da tecnologia.
b) Fato: avaliação positiva da tecnologia; opinião: lançamento do Znamya.
c) Fato: críticas de astrônomos; opinião: rotação da Terra.
d) Fato: deslocamento da nave; opinião: trajetória de 8 km.
- No contexto da Ordem Mundial multipolar pós-século XX, o texto contrasta ideias de espelhos como armas (nazistas) versus usos pacíficos (russos). Sobre o mesmo fato (uso de espelhos orbitais), qual opção destaca uma posição DISTINTA da defendida por Ehricke, que via benefícios agrícolas e energéticos? 6
a) Espelhos poderiam iluminar painéis solares para eletricidade sob demanda.
b) Ambientalistas temiam interrupção de ciclos naturais em animais e plantas.
c) Fótons refletidos impulsionariam naves sem queimar combustível.
d) Uma rede de espelhos iluminaria áreas amplas, aumentando produtividade.
- A fala “O truque é que, nessa altura, o refletor […] será capaz de capturar os raios do Sol que normalmente não atingem a Terra” contém uma marca linguística que indica:
a) certeza científica comprovada.
b) uma opinião do autor da matéria.
c) uma citação de um documento oficial.
d) uma hipótese futura.
- A proposta de utilizar espelhos para derreter icebergs mostra a relação entre: 7
a) Fenômenos naturais e ficção científica.
b) Intervenção humana e modificação ambiental.
c) Economia de energia e neutralidade ambiental.
d) Fenômenos naturais e ausência de riscos.
- Um dos objetivos do projeto russo era permitir que agricultores colhessem 24h por dia. Esse propósito está diretamente ligado a: 8
a) Transformações no mundo do trabalho.
b) Conservação da biodiversidade.
c) Redução de conflitos políticos.
d) Criação de blocos econômicos.
- O projeto Znamya pode ser associado ao papel do Estado na corrida espacial durante o período da Guerra Fria, demonstrando: 9
a) a prioridade de países neutros na exploração espacial.
b) a ausência de investimento estatal em tecnologia.
c) a utilização de projetos tecnológicos como símbolo de poder e inovação entre as superpotências.
d) o desinteresse da Rússia em projetos de impacto global.
- A proposta de iluminar artificialmente regiões polares pode ser interpretada como uma tentativa de: 10
a) valorizar os modos de vida tradicionais das populações locais.
b) eliminar a cultura dos povos árticos.
c) reduzir a migração para cidades.
d) impor uma visão de desenvolvimento baseada na dominação da natureza.
- O espelho espacial russo pretendia redirecionar os raios solares para regiões da Sibéria durante o inverno. Esse projeto se relaciona principalmente com:
a) A rotação da Terra, que causa a sucessão de dias e noites.
b) A translação da Terra, que provoca as diferenças climáticas sazonais.
c) A inclinação do eixo terrestre, que explica a variação da luz solar nas altas latitudes.
d) A gravidade da Terra, que mantém a atmosfera presa ao planeta.
- LP: D14 – Distinguir fato de opinião ↩︎
- LP: D21 – Reconhecer posições distintas entre opiniões ↩︎
- LP: D14 – Distinguir fato de opinião ↩︎
- LP: D21 – Reconhecer posições distintas entre opiniões ↩︎
- LP: D14 – Distinguir fato de opinião ↩︎
- LP: D21 – Reconhecer posições distintas entre opiniões ↩︎
- CH: Eixo 2 – Natureza e questões socioambientais ↩︎
- CH: Eixo 6 – Relações de trabalho, produção e circulação ↩︎
- CH: Eixo 4 – Poder, Estado e instituições ↩︎
- CH: Eixo 3 – Culturas, identidades e diversidades ↩︎
Gabarito
1- A; 2- B; 3- C; 4- D; 5- A; 6- A; 7- B; 8- D; 9- B; 10- A; 11- C; 12- D; 13- C
