Habilidade da BNCC: EF09GE13 – Analisar a importância da produção agropecuária na sociedade urbano-industrial ante o problema da desigualdade mundial de acesso aos recursos alimentares e à matéria-prima.
Foco na SAEB: Prepare seus alunos para as avaliações externas de forma eficiente com atividades de Geografia focadas nos descritores do SAEB de Língua Portuguesa. Essa atividade foi cuidadosamente elaborada para fortalecer as habilidades avaliadas. Uma excelente oportunidade para reforçar o aprendizado e aumentar a confiança dos estudantes na hora das provas!
Tudo que você come é transgênico. E tá tudo bem.
Faz milhares de anos que modificamos o genoma de animais e plantas para adaptá-los às nossas necessidades. A tecnologia atual só tornou esse processo mais rápido e preciso. Entenda por que eles não são sinônimo de agrotóxicos – e podem ser aliados da agricultura sustentável.
Trinta anos atrás, em maio de 1994, o tomate Flavr Savr chegou às gôndolas dos EUA e se tornou o primeiro organismo geneticamente modificado (OGM) disponível ao público. Desde então, não faltaram transgênicos nas prateleiras, nem estudos atestando que eles são inofensivos. Em 2013, por exemplo, uma análise de 1.783 artigos científicos sobre segurança e o impacto ambiental de OGMs não encontrou nada preocupante.
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“Não há evidências de aumento na incidência de câncer, obesidade, doença hepática, autismo, doença celíaca ou alergias alimentares”, e “não há evidência conclusiva de uma relação de causa e efeito entre culturas transgênicas e problemas ambientais”.
[…] 96,5% da soja e 88,4% do milho cultivados no Brasil são OGMs e boa parte da pecuária é alimentada com esses grãos. […]Sabe-se que a maioria dos americanos come transgênicos todos os dias – e o Brasil, que é o segundo maior produtor de OGMs do mundo e obtém 20% de suas calorias de alimentos ultraprocessados (o que é péssimo), vive uma realidade similar. […]
É fato que os transgênicos são uma peça importante do agronegócio. As empresas de biotecnologia precisam inserir certos genes nas sementes para que as plantas cresçam imunes aos herbicidas e pesticidas usados para protegê-las. Caso contrário, essas toxinas acabariam matando as próprias plantações. Acontece que as pragas evoluem resistência aos agrotóxicos, de modo que o coquetel precisa ficar cada vez mais variado e reforçado – e as plantas, cada vez mais resistentes.
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Em suma: a edição genética é só uma tecnologia, que não serve apenas para tornar soja ou milho imunes a agrotóxicos. Cabe a nós usá-la eticamente, como aliada da agricultura sustentável, e sempre considerando as peculiaridades da culinária e da cultura de cada povo.
Pensar nisso é importante porque, nos próximos anos, conforme as mudanças climáticas mexerem com a biodiversidade, a temperatura e o regime de chuvas, pequenos e médios agricultores poderão se beneficiar de OGMs resistentes a problemas como pragas e estresse térmico ou hídrico. Essas ainda são alterações complexas no presente, mas podem ser corriqueiras no futuro.
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Muito antes de existir tecnologia para copiar e colar genes entre espécies, agricultores pré-históricos mexiam com o genoma de plantas e animais para torná-los mais dóceis, nutritivos, saborosos ou produtivos que suas versões selvagens. Isso era feito com cruzamentos e seleção artificial (quando você separa, dentre mudas de planta ou filhotes de um animal, os que apresentam características desejadas – e então os reproduz, de modo a reforçá-las com o passar das gerações).
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VAIANO, Bruno. Tudo que você come é transgênico. E tá tudo bem. SUPERINTERESSANTE, São Paulo: Editora Abril. Ed. 467, p. 8 e 9. Set. 2024.
Atividades
- Segundo o texto, qual porcentagem do milho cultivado no Brasil é geneticamente modificado?1
a) 70% b) 88,4% c) 96,5% d) 100% - No trecho “Muito antes de existir tecnologia para copiar e colar genes entre espécies, agricultores pré-históricos mexiam com o genoma de plantas e animais para torná-los mais dóceis, nutritivos, saborosos ou produtivos que suas versões selvagens”, o que significa a expressão “mexiam com o genoma”?2
a) Realizavam mudanças genéticas por meio de cruzamentos e seleção artificial.
b) Cultivavam plantas e criavam animais sem modificá-los.
c) Reproduziam plantas e animais para vender.
d) Testavam produtos agrícolas antes de vender. - Por que, segundo o texto, mesmo com os avanços na tecnologia de modificação genética, ainda há preconceito e resistência em relação aos alimentos transgênicos?3
a) Porque há evidências de que causam danos à saúde.
b) Porque as pessoas associam os OGMs a algo artificial e prejudicial.
c) Porque a tecnologia de modificação genética é recente e desconhecida.
d) Porque a modificação genética não traz benefícios econômicos. - Qual é o tema principal do texto?4
a) Os riscos ambientais dos OGMs.
b) A evolução dos métodos agrícolas na história.
c) A importância e segurança dos alimentos geneticamente modificados (OGMs).
d) A legislação sobre o uso de OGMs no Brasil. - Assinale a alternativa que apresenta uma opinião do autor do texto:5
a) O primeiro organismo geneticamente modificado (OGM) disponível ao público foi o tomate Flavr Savr.
b) Em 2016, um grupo de 50 cientistas publicou um relatório sobre a segurança dos OGMs.
c) “A edição genética é só uma tecnologia, que cabe a nós usá-la eticamente como aliada da agricultura sustentável.”
d) 96,5% da soja cultivada no Brasil é geneticamente modificada. - Qual é a principal finalidade do texto “Tudo que você come é transgênico. E tá tudo bem” de Bruno Vaiano?6
a) Explicar o processo de produção de alimentos transgênicos e os seus métodos de cultivo.
b) Informar sobre os benefícios e a segurança dos alimentos geneticamente modificados, desmistificando preconceitos em relação a eles.
c) Persuadir o leitor a consumir exclusivamente alimentos orgânicos, evitando OGMs.
d) Relatar experiências pessoais do autor com o consumo de alimentos transgênicos. - Qual é a tese defendida pelo autor no texto “Tudo que você come é transgênico. E tá tudo bem”?7
a) Os alimentos transgênicos são prejudiciais à saúde.
b) A modificação genética é uma prática moderna e desconhecida pela humanidade.
c) Os alimentos transgênicos são seguros e podem ser aliados na agricultura sustentável.
d) A agricultura orgânica é superior à agricultura transgênica. - De que forma os estudos científicos citados no texto, que analisam a segurança dos OGMs, contribuem para sustentar a tese do autor?8
a) Mostram que os OGMs têm impactos negativos na saúde.
b) Demonstram que os OGMs são seguros, pois não há evidências de aumento de doenças associadas ao seu consumo.
c) Provam que os OGMs são economicamente vantajosos para os agricultores.
d) Indicam que os OGMs causam dependência de agrotóxicos nos consumidores. - No trecho “Acontece que as pragas evoluem resistência aos agrotóxicos, de modo que o coquetel precisa ficar cada vez mais variado e reforçado”, a expressão “de modo que” estabelece que tipo de relação entre as ideias?9
a) Oposição
b) Causa
c) Condição
d) Consequência - Descreva o papel histórico da humanidade na modificação de plantas e animais, destacando como essa prática antecede a engenharia genética moderna.
- D1: Localizar informações explícitas em um texto ↩︎
- D3: Inferir o sentido de uma palavra ou expressão ↩︎
- D4: Inferir uma informação implícita em um texto ↩︎
- D6: Identificar o tema de um texto ↩︎
- D14: Distinguir um fato da opinião relativa a esse fato ↩︎
- D12: Identificar a finalidade de textos de diferentes gêneros ↩︎
- D7: Identificar a tese de um texto ↩︎
- D8: Estabelecer relação entre a tese e os argumentos oferecidos para sustentá-la ↩︎
- D15: Estabelecer relações lógico-discursivas presentes no texto, marcadas por conjunções, advérbios etc ↩︎
Gabarito: 1-A; 2-A; 3-B; 4-C; 5-C; 6-B; 7-C; 8-B; 9-D; 10 – Historicamente, a humanidade modificou plantas e animais por meio de seleção artificial, escolhendo e reproduzindo espécies com características desejáveis, como produtividade, resistência e docilidade. Essa prática, anterior à engenharia genética, envolvia cruzamentos seletivos que, ao longo de gerações, tornaram espécies cultivadas e domesticadas muito diferentes de suas versões selvagens. A engenharia genética moderna é uma continuação desse processo, porém com mais precisão e rapidez, permitindo alterações genéticas específicas. Assim, a adaptação de organismos às necessidades humanas é uma prática milenar que agora conta com avanços científicos.
